A violência contra a mulher não termina no mundo real, nas marcas e nas cicatrizes do corpo, ela vai além no espaço digital com um comentário anônimo, na mensagem que persegue mesmo quando fecha os olhos, no print que circula sem consentimento, ferimentos que não deixam marca visível, mas que instalam por dentro no psicológico; na alma.
Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos, e o Agosto Lilás segue sendo o mês para lembrar disso: que toda forma de violência é real, tem nome e merece resposta. Mas há uma frente que ainda ganha pouco espaço no debate, a violência que acontece no ambiente digital.
Levantamento do DataSenado em parceria com a Nexus mostrou que, em 2025, uma em cada dez brasileiras com 16 anos ou mais sofreu algum tipo de violência digital. O dado confirma o que especialistas já apontam: o ambiente virtual não é um espaço à parte da vida real, é uma extensão dela, e precisa ser tratado com a mesma seriedade.
O que é o Agosto Lilás e por que ele também é importante na internet?
O Agosto Lilás foi instituído nacionalmente pela Lei 14.448/2022 como o mês de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher, em referência à sanção da Lei Maria da Penha, em 7 de agosto de 2006. Por muito tempo, a campanha esteve associada quase exclusivamente à violência doméstica dentro de casa, mas a violência de gênero mudou de endereço, e parte significativa dela hoje mora nas redes sociais, na internet.
De acordo com Alexandra Robinson, especialista em violência de gênero do Unfpa (Fundo de População das Nações Unidas), explica que os meios digitais fornecem uma plataforma conveniente para ataques contra mulheres, uma vez que agressores podem perpetuar a violência de maneira rápida, econômica e fácil de ser propagada.
“Identificou mais de 40 formas de violência de gênero facilitadas pela tecnologia, destacando que as agressões podem ser originadas de diversas fontes, desde parceiros abusivos e grupos misóginos organizados até governos, que têm acesso significativo a dados pessoais”.
Linha do tempo da Lei Maria da Penha
Duas décadas de avanços no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil.
Nasce a Lei Maria da Penha
Em 7 de agosto de 2006 foi sancionada a Lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha. A legislação criou mecanismos específicos para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
Mais do que uma data no calendário, essa trajetória representa a construção contínua de instrumentos de prevenção, proteção e conscientização.
Quando a violência não deixa marca no corpo, mas fica na mente
As mulheres sofrem variados tipos de preconceitos e, por muitas vezes, acabam pagando o pato sendo violentadas fisicamente e psicologicamente, onde as suas defesas caem por terra e tudo que resta é poder respirar novamente sem nem ter a consciência de que todo esse tempo esteve prendendo o ar.
Afinal, existe uma equivocada de que só a violência física deixa cicatriz. No ambiente digital, a ferida é outra, pois mora na repetição, onde as palavras machucam mais do que o nosso corpo como:
- Uma mensagem ofensiva;
- Um comentário humilhante;
- Uma imagem compartilhada sem consentimento.
Tudo isso se acumula e passa a habitar o íntimo de quem recebe, devido ao ferimento na saúde mental por vivenciar tais palavras na mente de novo, e de novo, sem ter o devido cuidado tais ofensas podem entrar nas partes sensíveis de si mesmo até vê-las de forma distorcida no espelho (como se fosse uma verdade sobre a sua vida).
“Então, o meu corpo ser violentado não é nada demais comparado com isso?”.
Pelo contrário, não existe hierarquia entre formas de sofrimento, pois toda violência que atinge o psicológico de uma mulher é válida, real e merece ser nomeada. Ninguém deveria precisar comparar o tamanho da própria dor para ter direito de ser ouvida.
Se a sua vida foi atravessada por qualquer forma de violência, física ou digital, ela importa. Você merece ser ouvida, respeitada e compreendida, livre de julgamentos.
Agosto Lilás: Se a violência é real, a resposta também precisa ser
O preconceito atravessa tanto a vida real quanto o mundo digital, o que torna a experiência de ser mulher, hoje, especialmente desafiadora. A violência pode vir de dentro de casa, de um familiar, de um amigo ou colega de trabalho, ou de um desconhecido, o que torna cada vez mais difícil confiar.
Como disse antes, toda dor é válida e merece ser respeitada, dentro desse espaço falamos da violência física e/ou da manipulação emocional, onde você, de forma subconsciente, entrega os pontos e o controle para outra pessoa.
Dentro de casa, ela aparece como agressão física ou como manipulação emocional, quando o controle é entregue à outra pessoa de forma quase imperceptível. No ambiente digital, ela ganha outra forma: muitas vezes vem de várias direções ao mesmo tempo, corroendo a autoestima através do cyberbullying, quase sempre amparada pelo anonimato que dificulta a responsabilização de quem agride.
A saúde mental é diretamente afetada quando as palavras alcançam o que há de mais íntimo em uma pessoa. Por isso o Agosto Lilás é uma causa necessária, uma resposta à altura de uma violência que rouba o brilho do olhar e transforma o sorriso em máscara.
Mas, o seu interior é uma bagunça emocional e que pede ajuda por meio de sinais para sair desse inferno que a sua vida se transformou!
Uma palavra-amiga, um ombro amigo, um abraço, permanecer fiel ao lado dessa pessoa e até mesmo denunciar pode salvar vidas.
Por exemplo, na série 13 Reasons Why, vemos como Hannah Baker é violentada fisicamente e psicologicamente, ela pede ajuda para as pessoas mais próximas e tenta levar a vida, mas a sua saúde mental está ferida, e quando ela decide abrir o jogo para o conselheiro da escola como último fiapo de esperança a vida, ele não crê nela e o fio da sua vida é cortado.
Moral da história: Você pode não ser agressor, mas se souber que alguém sofre, isso faz de você um cúmplice passivo. Quando alguém em estado vulnerável falar o que sente e o que está acontecendo, tenha uma escuta ativa, seja compreensivo, tente perceber os sinais e, principalmente, seja alguém confiável e sem julgamento.
A gente conecta pessoas todos os dias. E agora, queremos ajudar a conectar você com essa causa!
A violência digital também deixa sinais
Algumas situações na internet podem parecer apenas invasivas ou constrangedoras, mas também podem representar formas de violência. Clique em cada item para entender o que significa e como agir.
É o acompanhamento insistente e indesejado da rotina de uma pessoa por meios digitais, como mensagens repetidas, criação de perfis falsos, monitoramento constante das redes sociais ou tentativas de contato após pedidos para que isso cesse.
Evite responder às provocações, registre prints, links e horários das abordagens, bloqueie os perfis envolvidos e utilize as ferramentas de denúncia da própria plataforma.
Acontece quando informações privadas são divulgadas sem autorização, como telefone, endereço, documentos, local de trabalho, imagens, conversas ou outros dados capazes de expor a pessoa ou colocá-la em risco.
Guarde evidências antes de solicitar a remoção, denuncie o conteúdo na plataforma, revise senhas e configurações de privacidade e informe pessoas próximas caso a exposição possa gerar algum risco.
É o uso de ferramentas digitais ou de inteligência artificial para modificar, fabricar ou simular fotos, vídeos ou áudios de uma pessoa, fazendo parecer que ela participou de uma situação que nunca aconteceu.
Salve o conteúdo original, registre onde ele foi publicado, solicite sua remoção e denuncie os perfis responsáveis. Caso haja ameaça, chantagem, conteúdo íntimo ou risco à segurança, procure orientação jurídica e os canais competentes.
São mensagens intimidatórias ou ameaçadoras enviadas por perfis falsos, contas anônimas, números desconhecidos, e-mails ou outros meios utilizados para esconder a identidade de quem está por trás das agressões.
Não apague as mensagens. Preserve prints, links, números, nomes de usuário, datas e horários. Bloqueie o contato somente depois de registrar as evidências e busque ajuda caso exista risco ou ameaça concreta.
Pode ocorrer por meio de publicações, comentários, montagens, vídeos, mensagens ou campanhas destinadas a constranger, ridicularizar, difamar ou atacar publicamente uma pessoa diante de outras.
Registre as publicações antes que sejam apagadas, copie os links, denuncie o conteúdo e evite entrar em confrontos públicos que possam ampliar a exposição. Procure apoio caso os ataques continuem.
Não é necessário esperar a situação se agravar para começar a registrar evidências e buscar orientação. Preservar provas digitais pode ser importante para demonstrar o que aconteceu.
Para onde ir se precisar de ajuda
Nenhuma mulher deveria enfrentar isso sozinha. O Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) funciona 24 horas, de forma gratuita, e orienta sobre os próximos passos, incluindo denúncia e encaminhamento à rede de proteção local. As delegacias especializadas em crimes contra a mulher também recebem denúncias específicas sobre violência digital.
Um cuidado importante nesses casos é preservar as provas: prints, links, áudios e mensagens ajudam a documentar o que aconteceu e dão suporte a qualquer denúncia formal.
E, no dia a dia, pequenas atitudes de segurança digital fazem a diferença: revisar as configurações de privacidade das redes sociais, evitar compartilhar localização em tempo real e desconfiar de pedidos insistentes por informações pessoais são formas simples de reduzir a exposição a esse tipo de violência.
Canais de ajuda e proteção
Se você ou alguém próximo estiver enfrentando violência, perseguição, ameaça ou exposição no ambiente digital, existem serviços preparados para orientar e acolher.
Serviço gratuito de orientação, acolhimento, informação sobre direitos e encaminhamento para a rede de atendimento.
Delegacias Especializadas
As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher fazem parte da rede de proteção e podem receber denúncias, orientar sobre providências e encaminhar o atendimento conforme cada situação.
Se houver violência digital, preserve prints, links, mensagens, nomes de perfis, datas e horários.
Reforce sua privacidade digital
Algumas configurações simples podem reduzir exposição e dificultar acessos indevidos às suas contas.
- Revise quem pode visualizar suas publicações.
- Ative autenticação em duas etapas.
- Use senhas diferentes em serviços importantes.
Sua conexão também pode ser uma aliada da segurança digital
Além de oferecer acesso à internet, uma provedora pode contribuir compartilhando orientações sobre privacidade, proteção de contas e uso mais consciente da rede.
Ela adiciona uma segunda barreira mesmo quando alguém descobre sua senha.
Confira periodicamente quais celulares, computadores e navegadores têm acesso às suas contas.
Evite divulgar localização em tempo real, rotina diária e endereços desnecessariamente.
Em situações de ameaça ou perseguição, registre mensagens, links, perfis, datas e horários antes de remover o contato.
Essas medidas ajudam na prevenção, mas não substituem atendimento especializado quando houver ameaça, perseguição, violência ou risco à segurança.
Com informação, apoio e atitude, criamos um ambiente digital mais seguro para todas
Por estamos sempre lidando com tecnologia no dia a dia e oferecendo o melhor provedor de internet da região, é o nosso dever de compartilhar sobre essa causa para que cada atitude, cada pessoa de bem inclinada com essa a questão ajude colocar um fim na violência contra a mulher.
Pode ser que não aconteça hoje ainda mais com as redes sociais e, principalmente, com a sociedade estar cheia de misóginos e agressores de mulheres, mas de pouco a pouco, as próximas gerações não precisaram ter um medo crescente no seu interior, prender a respiração e sofrer ataques de pânico toda vez que um gatilho for acionado.
É uma luta para uma vida justa, plena e saudável para todas as mulheres desfrutarem, sem ataques, sem assédios e muito menos sem monstros à espreita!
Não tenha medo e não se cale, a sua voz merece ser ouvida!

Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher, é anônimo e presta assistência 24h seja para você ou para algum familiar, amiga ou até mesmo vizinha, a sua atitude pode fazer a diferença.
Hoje, com a facilidade da internet na palma da mão, se tornou bem mais eficiente em entrar contato com mulheres que sofrem ou sofreram o mesmo que você, elas vão te entender completamente por carregar cicatrizes e estarem em longo processo de recuperação.
Você não está sozinha, conte com redes de apoio, com a sua família, com a sua melhor amiga ou psicóloga, mas tenha alguém com quem desabafar; chorar para não passar por toda essa guerra sozinha.


